Tecnodiversidades
Tecnodiversidades
Artes e tecnologias na Unifesp
Por Ana Avelar e Ana Hoffmann
Ana Avelar é professora do Departamento de História da Arte da Unifesp. Sua pesquisa explora como tecnologias digitais e inteligência artificial transformam a curadoria, os museus e a circulação da arte.
Ana Hoffmann é professora do Departamento de História da Arte da Unifesp e pesquisadora da história dos museus e das exposições. Desenvolve pesquisas sobre instituições museológicas, crítica de arte e história da arte moderna no Brasil.
Quinzenalmente, às terças-feiras na Rádio Silva, às 16h
As colunas e artigos de opinião publicados pela Rádio Silva refletem exclusivamente o ponto de vista de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião ou a linha editorial da rádio ou da Unifesp.
Exibido em 08/09/2026
No terceiro episódio de Tecnodiversidades, Ana Avelar discute o conceito de cosmotécnica, também formulado pelo filósofo Yuk Hui. A cosmotécnica refere-se à maneira como diferentes sociedades unificam suas ferramentas técnicas aos seus valores morais, à cultura e à sua visão sobre o cosmos e a natureza. A colunista critica a ideia moderna de que o avanço tecnológico segue um único caminho universal focado na busca por maior eficiência, velocidade e automação, ressaltando que cada cultura desenvolve relações técnicas próprias que foram historicamente invisibilizadas pelo modelo industrial ocidental.
Para ilustrar o conceito, o episódio cita a parábola chinesa do açougueiro Pao Ding, cuja técnica de corte não dependia da força física ou da afiação da faca, mas da harmonia e compreensão do Tao (o caminho natural das coisas). Ana Avelar aplica essa reflexão ao debate contemporâneo sobre a inteligência artificial, sugerindo que em vez de focar apenas no aumento do desempenho dos modelos digitais, devemos questionar quais visões de mundo estão sendo construídas por eles. Assim, o futuro tecnológico permanece em aberto para a construção de múltiplos caminhos possíveis por meio da arte e do conhecimento acadêmico.
Exibido em 25/08/2026
Neste episódio, Ana Avelar explora o conceito de tecnodiversidade fundamentado no pensamento do filósofo chinês Yuk Hui. A apresentadora questiona a visão comum de que tecnologia se restringe apenas a computadores, algoritmos e inteligência artificial. Ela enfatiza que a globalização difundiu um modelo tecnológico ocidental tido como universal, fazendo com que a sociedade se esqueça de que toda técnica nasce atrelada a uma cultura específica e a uma forma particular de se relacionar com o mundo e a natureza.
A partir da analogia com a biodiversidade, o conceito de tecnodiversidade defende que existem múltiplas maneiras de produzir conhecimento técnico ligadas a diferentes cosmologias e histórias. Saberes tradicionais como a cestaria indígena, a cerâmica, a tecelagem ou rituais também são reconhecidos como tecnologias complexas que organizam a memória coletiva e a relação com o ambiente. O episódio conclui que o objetivo não é rejeitar as tecnologias digitais contemporâneas, mas buscar a coexistência entre o ancestral e o digital, utilizando a arte como uma ponte crucial para experimentar novas possibilidades e aproximar diferentes tempos e formas de conhecimento.
Exibido em 11/08/2026
Neste primeiro episódio, conheça o podcast do Programa de Extensão Tecnodiversidades, Artes e Tecnologias, vinculado ao Campus Guarulhos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O projeto busca aproximar a universidade e a sociedade por meio de exposições, formação de acervo, debates e encontros virtuais que discutem as artes sob uma perspectiva decolonial e contracolonial. A proposta é atuar de forma colaborativa com a comunidade externa, estimulando a troca de saberes entre artistas, educadores e coletivos culturais.
A iniciativa propõe um conceito ampliado de tecnologia, que engloba desde a inteligência artificial, redes sociais e mídias imersivas até práticas ancestrais e manuais, como a tecelagem, a cerâmica e a pintura. Ao questionar a visão eurocêntrica que coloca o modelo ocidental como padrão único, o projeto valoriza conhecimentos tradicionais, tratando fazeres como a cestaria indígena e os cantos rituais como sistemas tecnológicos completos de memória e organização social.
A estrutura conceitual do programa é dividida em três pilares fundamentais. O primeiro é a decolonialidade, que busca desconstruir hierarquias para dar visibilidade a saberes historicamente silenciados nas artes e na academia. O segundo é a tecnodiversidade, inspirada em reflexões filosóficas sobre múltiplos modos de produção técnica ao redor do mundo. E o terceiro pilar enxerga a curadoria como um processo amplo de gestão, circulação e preservação do conhecimento, articulando plataformas, infraestruturas e dados em diálogo constante com a sociedade.