O Que Não Estamos Dizendo
O Que Não Estamos Dizendo
Um convite para ver
Por Josi Martins
Josi Martins é Administradora, Terapeuta da Comunicação (em formação) e servidora da Unifesp. Convida os ouvintes a olhar para o cotidiano com mais presença, consciência e humanidade.
Quinzenalmente, às quartas-feiras na Rádio Silva, às 16h
As colunas e artigos de opinião publicados pela Rádio Silva refletem exclusivamente o ponto de vista de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião ou a linha editorial da rádio ou da Unifesp.
Hoje, eu gostaria de começar com uma pergunta simples:
Só hoje, quantas vezes você perguntou: “Tudo bem?”
Agora, eu faço uma segunda pergunta: quantas vezes você realmente esperou para ouvir a resposta?
A expressão “Tudo bem?” talvez seja uma das frases mais repetidas da nossa língua. Ela abre reuniões, cruza corredores, começa aulas, inicia mensagens… E, quase sempre, vem acompanhada de uma resposta automática:
— Tudo.
— Tudo certo.
— Tudo tranquilo.
Mesmo quando não está.
E talvez isso não aconteça porque somos indiferentes; talvez aconteça porque aprendemos, aos poucos, a perceber em quais ambientes uma resposta verdadeira pode ser acolhida e em quais ela pode nos expor.
A professora Amy Edmondson, da Harvard Business School, pesquisa há décadas como as pessoas aprendem e trabalham em equipe. Em um estudo publicado em 1999, ela apresentou o conceito de segurança psicológica: a percepção compartilhada de que aquele ambiente é seguro para assumirmos pequenos riscos nas relações — como fazer uma pergunta, admitir que não sabemos algo, reconhecer um erro, expressar uma preocupação ou dizer que precisamos de ajuda, sem medo de sermos humilhados, punidos ou vistos como menos competentes.
Segurança psicológica não significa que todos precisam concordar, nem que qualquer conversa será sempre confortável. Significa que existe confiança suficiente para que as pessoas possam falar com honestidade e continuar pertencendo àquele espaço.
Talvez isso nos ajude a compreender por que respondemos “Tudo bem” para algumas pessoas e, diante de outras, encontramos coragem para dizer:
— Na verdade... hoje eu não estou muito bem.
Perceba: a pergunta é exatamente a mesma. O que muda é o quanto nos sentimos seguros para responder com verdade.
E isso, talvez, nos revele algo importante sobre comunicação.
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