Aprendizagem Ativa na Educação
Aprendizagem Ativa na Educação
Estudantes no centro do ensino-aprendizagem
Por Camilo Lellis
Camilo Lellis é biólogo e Professor Associado do Dep. de Ciências Biológicas da Unifesp. Coordenador do Laboratório de Experimentação e Educação em Fisiologia e do Grupo de Estudos e Pesquisa em Metodologias de Aprendizagem Ativa.
Quinzenalmente, às quintas-feiras na Rádio Silva, às 16h
As colunas e artigos de opinião publicados pela Rádio Silva refletem exclusivamente o ponto de vista de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião ou a linha editorial da rádio ou da Unifesp.
Exibido em 06/08/2026
Olá, mente inquieta! Seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda à nossa nova coluna de Educação e Metodologias de Aprendizagem Ativa. Se você estuda ou ensina, ou simplesmente gosta de aprender o tempo todo, esse espaço é dedicado a você!
Vamos começar com uma reflexão sobre aprender nos tempos atuais? Pensa comigo: vivemos em um mundo moderno e tecnológico, a gente usa inteligência artificial para fazer tudo, pede comida por aplicativo, resolve a vida pelo whatsapp ... mas a estrutura da maioria das salas de aula por aí ainda é a mesma do milênio passado. Um professor lá na frente falando por horas, e uma fileira de alunos sentados, estáticos, fingindo que estão prestando atenção enquanto o feed das redes sociais parece infinitamente mais interessante.
Essa é a famosa metodologia tradicional. O estudante é um mero receptor passivo. O conhecimento é "transmitido", como se a mente fosse um balde vazio a ser preenchido. Já dizia Paulo Freire: é uma educação bancária, onde os estudantes são tratados como depósitos. Spoiler: não funciona mais.
É aqui que entram as Metodologias de Aprendizagem Ativa. E não, isso não é apenas um termo bonito de pedagogia. É uma inversão completa do jogo.
Na aprendizagem ativa, o foco sai do "ensinar" e vai para o "aprender". O estudante deixa de ser plateia e vira o protagonista, o construtor do próprio conhecimento. Em vez de só ouvir, ele resolve problemas reais, debate, cria projetos, analisa casos. O professor não some, tá? Ele ganha um papel muito mais nobre: deixa de ser o "dono da verdade" na frente do quadro e vira um mentor, um facilitador que guia essa jornada.
Mas por que as metodologias de aprendizagem ativa funcionam melhor?
Simplesmente porque, ao contrário da aula tradicional expositiva na qual o estudante pensa de forma automatizada e tem pouco tempo para fazer integrações cognitivas, nas MAAs, os estudantes vivem situações de conflitos cognitivos que modulam regiões cerebrais de forma difusa porém coordenada.
Mas o ponto mais urgente, e que pouca gente discute, é o impacto disso na redução das desigualdades educacionais.
Quando a escola se baseia apenas na aula expositiva pura, ela beneficia quem já tem uma estrutura de apoio em casa, estudou em escolas de elite, quem tem acesso a livros, repertório cultural ou suporte familiar para estudar depois. A metodologia de aula tradicional pune quem tem ritmos de aprendizagem diferentes.
Já as metodologias de aprendizagem ativa, como a aprendizagem baseada em problemas e aprendizagem baseada em jogos, criam um ambiente de cooperação. Os estudantes trabalham em equipes, ajudam-se mutuamente e aplicam o conhecimento ali, na prática, onde o professor está perto para dar o suporte necessário. Pesquisas já mostram que esse formato reduz drasticamente as taxas de reprovação e nivela o aprendizado, puxando para cima aqueles estudantes que o sistema tradicional costuma deixar para trás. É a pedagogia da equidade.
Nas próximas semanas, a gente vai desmistificar as ferramentas práticas disso e partilhar mais conhecimento para você aprender melhor e ensinar com excelência ... tudo sem complicação.
A gente se vê na próxima semana. Até lá, mantenha sua mente ativa!